Com o tempo mudei, e ainda que muitos possam não o notar, sinto que mudei, não sou a mesma pessoa que era antigamente, não sei se a mudança foi para melhor ou para pior, mas a verdade é que sinto que essa mudança ocorreu mesmo.
Sabes aquela sensação que tens quando te apercebes que antigamente terias feito as coisas de maneira diferente? É precisamente isso que sinto, sinto que nos últimos dois anos mudei imenso, a minha visão das coisas mudou imenso, principalmente a maneira de ver a vida.
As coisas acontecem para nos ensinar o valor das coisas e é curioso que nós aprendemos tudo com o medo, é o medo de perder, o medo de falhar que nos faz abrir os olhos, que nos faz ver realmente as coisas como elas são, porque é o sofrimento que nos trás a alegria de ter aquele prazer imenso quando nos acontece algo de bom, é a tristeza que cria a felicidade e sem uma delas, a outra não poderia existir.
Senti uma vida a morrer-me nos braços, senti o frio do corpo quando se está prestes a morrer e aí vi toda a importância do calor de um corpo, porque quis que o calor do meu corpo aquecesse o outro, e apesar de no momento não me ter apercebido realmente do que estava a acontecer, involuntariamente abracei e segurei um corpo fraco e pensando hoje nisso, sinto-me feliz porque sinto também que talvez tenha sido um pouco o meu calor que fez com que aquele corpo frio e duro, voltasse a ser o que era, um corpo normal e caloroso, pronto para viver.
Nunca tinha estado tão perto de perder alguém, e de um momento para o outro vi-me na iminência de perder duas pessoas extremamente importantes, num curto espaço de meses, e foi como uma chapada.
Ao ínicio essa chapada fez-me cair, passei tempos e tempos a criar problemas a mim próprio, a ter atitudes irreconhecíveis, magoei muitas pessoas, mas acima de tudo magoei-me a mim próprio com todas as atitudes que tinha, porque não era minha intenção, eram coisas totalmente irreflectidas e sei que não sou, nem nunca serei assim, culpava tudo e todos por coisas que vendo agora apenas eu criava com o meu egoísmo, queria-me tão à força estar feliz que me esqueci que a felicidade de um implica a felicidade de outro, e durante muito tempo andei perdido e à procura do meu rumo, da minha pessoa.
Comecei então a ver tudo de maneira diferente, percebi que a beleza é o disfarce do mal, e que as melhores coisas da vida são aquelas que estão escondidas dentro de cada um de nós, não sou hipócrita, amo beleza, gosto de gostar de me ver ao espelho e me sentir uma pessoa bonita, gosto de ver beleza nos outros, mas simplesmente percebi que nada é melhor do que quem mexe com o nosso coração e não com os nossos olhos, porque o que é verdadeiro vem-nos do coração, e os olhos são simplesmente distrações que nos querem desviar da felicidade.
Eu vou lutar pela minha felicidade, vou tentar mudar o que tenho de mal, quero deixar de ser um ser humano egoísta como outros tantos e passar a entender que a minha felicidade pode passar pela dos outros, vou dar valor a todas aquelas pessoas que sinto que o têm, sei que nunca vou agradar a toda a gente, nem tenho essa intenção, mas vou tentar ser o melhor para quem o realmente merece, amo-me mais do que a qualquer outra pessoa, mas a verdade é que ninguém é capaz de se amar se não for amado por outros.
Se fosse hoje, sei que teria feito muitas coisas de outra maneira e talvez muita coisa pudesse ter sido diferente, mas a verdade é que não foi e não vale a pena chorar sobre leite derramado, eu levantei e vou continuar sempre a levantar-me e a manter a cabeça erguida, porque a nossa vida é como o dia-a-dia, um dia andamos para a frente, outros para trás, e outros mantemo-nos no mesmo sitio, mas a verdade é que o caminho é sempre para a frente, podemos é escolher entre chegar mais cedo, ou mais tarde.