domingo, 15 de setembro de 2013

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É na ânsia de se ganhar que a derrota aparece, porque tudo tem o seu tempo, e apressar para fazer em cinco minutos o que é para ser feito numa hora causa imperfeições, defeitos impossíveis de consertar uma vez já feitos, e é assim na vida, sempre que apressamos acontecimentos, as coisas geralmente nos correm mal, tenhamos o amor como exemplo, todos procuramos a pessoa certa, a pessoa por quem nos vamos apaixonar seriamente, aquela que vai tornar o nosso mundo melhor e o resultado dessa procura exaustiva, são as inúmeras tentativas falhadas, só no momento em que paramos e olhamos à nossa volta é que temos a noção da realidade, o amor não pode ser uma coisa tratada como se de uma coincidência fosse, trabalha-se para amar, cria-se laços de afecto, conhece-se a pessoa melhor do que a palma da nossa mão e isso, isso demora a construir, é por isso que as coisas agora não resultam, as pessoas não sabem esperar, querem prazer físico, perdem-se valores e os significados das coisas, e sinceramente não há nada que me entristeça mais do que saber que estamos todos a perder aquilo que nos identifica, a nossa humanidade, quem fala de amor, fala de trabalho, saúde ou de qualquer outra necessidade essencial.
Queremos tudo feito e não fazer nada, e quando conseguimos os nossos objectivos, bem, perdemos o prazer que dá em lutar para se conseguir algo e demasiadas facilidades como as que nos são dadas hoje, fazem com que nos acomodemos. É quando passamos pelo pior que damos realmente valor ao melhor.
Ter o amor de alguém é das coisas mais duras e ao mesmo tempo mais recompensadoras se o objectivo for atingido, mas aqui entra outra vez a questão da pressa, se as coisas não tiverem efeitos imediatos, fugimos, abandonamos a luta que podia trazer-nos uma grande felicidade e partimos para um ciclo vicioso em que a luta se irá repetir vezes sem conta, e onde acabaremos sempre por desistir a meio.
As facilidades retiram valor às coisas, sentir é algo que poucos conseguem, enquanto insistirmos em pensar com os olhos e não com o nosso coração, este mundo vai continuar a desenvolver a sua vertente egoísta e vai chegar a um dia em que a falta de sentimento vai ser tanta que o egoísmo vai aumentar a um nível extremo, poderá parecer uma ideia extremista mas rapidamente podemos estabelecer um paradoxo com o mar e as rochas, num curto de espaço de tempo, o dano parece pouco, mas com a repetição infindável a água acaba por desgastar a rocha, destruindo-a e expondo um problema que à partida não existiria.
Devemos parar para pensar, mas pensar com as nossas capacidade humanas que tanta bondade carregam, de maneira a que possamos cultivar relações e um mundo próspero, onde viver não seja um martírio.
Não é possível amar todas as pessoas que nos aparecem na vida, mas amar uma só, depende de nós e do quanto queremos ser e fazer alguém feliz.

1 comentário:

  1. Acho que disseste tudo! Há pessoas que valem realmente a pena e é nessas que temos que apostar tudo e dar a nossa atenção. Seja amigos, pais, namorados, se valerem mesmo a pena, tudo o que lhes damos é dado de coração sem esforço nenhum. O resto, são simples "obstáculos" pelos quais temos que passar, mas que são essenciais para o nosso crescimento.
    Quanto à ultima frase, tens a maior razão de sempre! Gostei mesmo, continua :)

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