Quem passa por experiências de acontecimentos que poderiam muito bem tirar a vida a pessoas de quem nós gostamos, sabe bem o que é chorar pelo quase, pelo facto de quase termos perdido alguém que amamos, tem portanto a noção do que é a dor e o medo de quase perder alguém e com isto pode imaginar bem o sofrimento que será quando o momento em que alguém dessas pessoas irá acontecer. Amar alguém não é algo fácil, os sentimentos têm coisas boas e más, mas precisamente por ser algo difícil é que nós deveríamos guardá-los de uma forma mais determinada, quantos de nós é que não perderam alguém porque achavam que simplesmente as coisas não poderiam sair do nosso controlo? Quem nunca partiu do princípio que tinha algo que amava adquirido, e há conta disso fez com que lentamente a pessoa se afastasse? Na verdade o mais fácil é sobreviver, mas deveríamos era querer viver, viver juntos daqueles que amamos, das pessoas que nos amam e que nos mais pequenos pormenores demonstram toda a importância que têm na nossa vida. Mas não, vivemos como se o dia de amanhã estivesse certo, mas a verdade é que o dia de amanhã não está certo, não sabemos se teremos mais algum e portanto deveríamos querer aproveitá-lo ao máximo, óbvio que nós nunca queremos acreditar que o amanhã vai ser o último, fazemos planos para um futuro que realmente não sabemos se vai existir, na verdade o melhor seria aproveitar cada dia para tentar darmos o melhor de nós para que pelo menos, mesmo que depois de não estarmos cá e na eventualidade de não irmos para o céu como nos fazem querer e ficar cá a "olhar por alguém", as pessoas que faziam parte da nossa vida por gosto possam dizer que têm real orgulho na pessoa que fomos, no que partilharam connosco e que se orgulham em poder viver com uma memória de alguém que mudou a vida delas.
A morte é uma realidade, um acontecimento como qualquer outro no sentido de haver possibilidade, obviamente que é um acontecimento cuja gravidade não tem remédio, é um acontecimento impossível de ser impossibilitado, passo a redundância, acho que é importante sermos capazes de falar da morte como uma possibilidade, porque o é, e de nada vale tentarmos fugir do inevitável, não é por querermos fugir de algo, que isso não nos poderá apanhar, nem que seja desprevenidos sem darmos por isso, aliás, quando acontece, raramente estamos à espera, em casos muito raros isso acontece. Viver devia ser uma benção, amar deveria ser um privilégio preservado.
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