Um dia está normal, até que de repente vês duas pessoas que olham uma para a outra de uma maneira fascinante, ou simplesmente se tratam com um carinho imenso e isso faz-te começar a pensar em tudo o que já tiveste semelhante e o facto de ter acabado quando no fundo querias que ainda tivesse continuado, óbvio que nem todas as relações foram feitas para durar, aliás poucas duram porque no fundo com tantas pessoas no mundo, encontrar aquela que vai formar um par contigo é difícil, e o que interessa é o que sentem uma pela outra, a história de "somos opostos" ou "somos demasiado iguais" são simples razões disparatadas para não conseguir manter uma relação, quando se começa uma relação, é necessário que haja sentimento, e se esse sentimento se criou não foi porque os dois eram demasiado iguais ou demasiado diferentes, começou porque algo fazia sentir que as coisas podiam ser verdadeiras, que o sentimento entre os dois existiria, acho que começar uma relação do nada é um ato não de loucura mas de pura estupidez, em pouco tempo não podemos realmente conhecer uma pessoa suficientemente para dizer se o que sentimos por ela é algo verdadeiro e duradouro, ou apenas uma miragem passageira criada pelo nosso coração sedento de carinho, acertar nas pessoas certas nestes casos, é pura sorte, é um tiro no escuro que tem mais probabilidades de falhar, mas que nada nos diz que não pode acertar, a questão é que o que nos faz arriscar não é só a falta de se sentir amado, é também a adrenalina de partir para o desconhecido, para uma aventura, onde nos esquecemos que podemos magoar e ser magoados.
Quantos de nós não desejávamos ter coragem para arriscar e falar com aquela pessoa que nos parece tão interessante que só nos dá vontade de a conhecer, mas que ao mesmo tempo dá-nos vontade de fugir com medo que ela faça troça da nossa vontade simplesmente pelo facto de a acharmos demasiado interessante para pessoas como nós? Não sou apologista de falar por todos, mas acho que neste caso o posso fazer, toda a gente já teve medo de pôr conversa com alguém, medo que um dia mais tarde ser criticado pelo facto de ter tentado em vão, porque a pessoas simplesmente era demasiado para ela. Bem, não deveríamos ter medo de arriscar, mas o medo é mesmo isso, o medo é o obstáculo que nos impede de ir mais além, e no que toca ao amor, o medo é causado pela falta de confiança, por não acreditarmos que somos suficientes para aquela pessoa em que nós vemos algo que não temos e também coisas que desejaríamos potencialmente ter junto a nós.
Ora bem, o mais certo era dizer a todos que ninguém é melhor que ninguém, que quem não arrisca não petisca, mas todos sabemos que no que toca a sentimentos, as palavras não têm grande significado, porque para sentir não é preciso falar, mas para falar devíamos sentir primeiro, iremos sempre achar que aquela pessoa será sempre demasiado para nós, mas a verdade é que muitas vezes quando acabamos por conhecer algumas dessas pessoas, apenas nos apercebemos que aquilo que víamos, no fundo não existia e que se calhar essas são inclusive piores que nós, sejamos sinceros, no mundo vai sempre haver pessoas melhores e pessoas piores, mas a questão é que o facto de alguém ser mais bonito não significa que tenha mais capacidade para nos fazer mais felizes, e na decisão de escolher alguém para fazer parceria connosco quem manda é o coração, o coração é como cimento, se estiver fresco é fácil moldá-lo e simplesmente pôr nele aquilo que bem entendermos, mas uma vez que ele seca, fica rijo, duro como diamante e aí, aí já é muito difícil tirar dele aquilo que queremos, é preciso parti-lo e uma vez partido, tal como um vidro, por muito que o remendemos, vão sempre ficar pequenos defeitos, pequenas discrepâncias ou diferenças, essas vão-nos afetar o discernimento e a maneira de olhar para o amor da próxima vez que tivermos de o fazer.
Verdade seja dita, quanto mais magoado um coração está, mais difícil é fazê-lo convencer de que algo vale a pena, talvez isso seja bom, porque nos ensina a sermos mais selectivos, a não querermos gravar nele algo que no fim poderá não corresponder às expectativas iniciais, a mágoa é um processo de aprendizagem no que toca ao amor. Os sentimentos não são brinquedos, não são coisas que podemos usar e deitar fora ou pôr de lado sempre que quisermos, para sentir tem de haver responsabilidade e respeito, por nós e pelo outro, porque quando duas pessoas se amam, não existe um interesse, existem dois interesses que possivelmente poderão convergir no mesmo objectivo.
Agimos como se o sentimento fosse um brinquedo e nós os jogadores, mas com a vida aprendemos que nós somos brinquedos, e os sentimentos fazem-nos jogar.
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