Todos temos uma opinião acerca de nós próprios, quer seja física ou psicologicamente e a minha experiência diz-me que quando estamos felizes, tendemos em reparar em nós, as melhores coisas que temos, mas quando chega a hora da tristeza, a nossa tendência é de visualizar os nossos defeitos só que com o pormenor de o vermos de uma maneira um milhão de vezes pior, e a minha sincera opinião é que simplesmente tentamos baixar as nossas expectativas para que no fim nos apercebermos que no fundo as coisas não são assim tão más, mas a questão é que o fim geralmente é tarde demais e coincide com os nossos piores momentos, e aí poderá já ser tarde demais para que consigamos olhar para nós mesmos de uma maneira diferente.
Da mesma maneira que sermos demasiado exigentes com nós próprios pode ser negativo, deixar-mos andar demasiado as coisas também o é, e assim como muitas outras coisas na vida, o maior problema é chegarmos a um meio termo.
A verdade é que nós vemos os nossos defeitos de uma maneira exagerada porque lidamos com eles todos os dias, e é essa rotina que faz com que fiquemos enfadados ou mesmo revoltados por os ter, mas a verdade é que se pensarmos, toda a gente tem defeitos e tanto na amizade como no amor, há defeitos, mas simplesmente no início estamos demasiado ocupados com o bom que vemos nas pessoas que nem sequer reparamos que existe também nem que seja só um pouco de mau, é por isso que acho que os reais sentimentos que nutrimos pelas pessoas só são perceptíveis e avaliáveis ao fim de um determinado tempo, tempo esse que seja suficiente para lidarmos com os defeitos dos outros e pensarmos ou mesmo repararmos até onde é que somos capazes de lidar com as adversidades que nos são impostas pelas coisas menos boas que encontramos nas pessoas.
O tempo é o melhor avaliador do quanto gostamos das pessoas, é com o tempo que nós sabemos se fizemos a escolha certa, ou se pelo menos a escolha que o nosso coração nos obrigou a tomar estará correcta, porque ainda que seja possível enganar os nossos olhos e cérebro durante um curto espaço de tempo, manter um disfarce cairá e também nós cairemos, mas em nós, de maneira a que nos possamos aperceber da realidade. Uma das coisas mais irónicas no ser humano é a capacidade que temos de nos auto criticar e ficamos tristes por nos apercebermos dos nossos problemas e mesmo assim sermos capazes de gozar com os defeitos dos outros, sabendo que muitas vezes aquilo que os outros sentem quando os criticam é mil vezes pior do que aquilo que sentimos quando o fazemos a nós próprios.
Eu tenho uma certeza, é que todos nós temos um defeito pelo menos, e friso o pelo menos, que aos nossos olhos parecem muito mais graves do que o que o são realmente e também do que os outros se apercebem e não nos podemos esquecer que por vezes o nosso melhor ou a nossa qualidade não reside verdadeiramente na quantidade de virtudes que temos mas sim na ausência de defeitos, porque é essa ausência que nos permite criar coisas boas, porque ao não existirem coisas negativas, não se podem criar coisas negativas, como a matemática também na nossa vida o positivo com positivo dá positivo, o positivo com negativo dá negativo, a única diferença é que quando juntamos duas coisas negativas, o resultado não é bom, pois senão, muita coisa neste mundo seria positiva, tendo em conta que a negatividade tem uma atividade mais presente, ou pelo menos damos-lhe mais importância.
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