quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Presos

Na vida, não podemos querer seguir com ela, se estivermos presos ao que vem atrás, é exactamente como se estivessemos presos a uma corda, e a corda tem um determinado comprimento, ou seja, vai chegar a uma altura em que essa vai esticar o máximo, e a partir daí, o único caminho é para trás, e assim é com a vida também, se insistirmos em estar presos ao passado, vamos reparar mais tarde ou mais cedo que nunca vamos conseguir prosseguir para um futuro, o presente torna-se o nosso limite de corda, e não nos podemos esquecer que o presente de hoje, é o passado de amanhã. Para pensar no futuro, temos de nos desprender da corda do passado, e muito do problema está aí, nós queremos andar para a frente e podemos até pensar para a frente, mas é como se a nossa mente andasse numa passadeira de ginásio, efectivamente estamos a caminhar em frente, mas parados no mesmo sítio, não chega querer separar-mo-nos do passado, temos de quebrar a nossa barreira mental que nos faz tornar todos os presentes num passado, e durante a vida, passamos muito tempo a fugir aos assuntos, a evitar tocar neles, como se estivessemos a dar voltas infinitas a uma rotunda, sem nunca saber por que saída ir, o pior que podemos fazer é tentar criar um futuro com bases num passado, cada dia é um dia novo, a vida é contínua, ela encarrega-se de fazer com que as coisas não desapareçam de um dia para o outro naturalmente, não é realmente necessário que estejamos sempre a pensar no que se passou, no que fizemos, no que poderíamos ter feito, os erros do passado servem para fazer os acertos do futuro.
Obviamente que é muito fácil falar, mas quando estamos presos ao passado, só há duas maneiras de sair dele, ou encontramos alguém que é capaz de se esforçar por nós e tentar fazer-nos ver que o caminho é para a frente, ou então somos suficientemente fortes para conseguir quebrar o que nos prende, pessoalmente, acho que quando nos prendemos ao passado, prendemo-nos principalmente a pessoas e não a momentos em específico, porque o que sentimos pelas pessoas, é sempre mais forte do que aquilo que sentimos pelos momentos, quando ouço dizer "não tenho saudades de tal pessoa, mas sim do que passei por ela" acho que as pessoas estão a tentar convencer-se disso, quando na verdade, esse momento só teve essa importância, pelo impacto que a pessoa com quem o partilhámos teve em nós, estejamos a falar de amor ou de amizade, por alguma razão raramente choramos quando um momento acaba, porque sabemos que esse momento até poderá eventualmente repetir-se, com mais ou menos qualidade, mas a verdade é que quando perdemos alguém importante por nós, a tristeza absorve-nos, porque sabemos que com o desaparecimento dessa pessoa, já não há volta a dar, tudo o que foi de bom com ela e tudo o que poderia ser no futuro bom com ela, não passam de memórias e no segundo caso de sonhos, e apesar de recordar ser viver e o sonho comandar a vida, aquilo que nos causa maior satisfação, não são as coisas que nos lembramos ou aquilo que desejamos que aconteça, mas sim aquilo que efectivamente acontece.
Tenho medo de ficar agarrado ao passado, recuso-me a ser um prisioneiro de memórias, por muito boas que elas tenham sido, geralmente quando encontramos e temos algo muito bom, habituamo-nos a isso e depois temos muitas dificuldades em satisfazer-mo-nos com pouco e tenho medo, tenho medo de durante a minha vida não encontrar nada melhor para mim do que encontrei no passado, é verdade que nada é igual e cada coisa tem as suas características, mas também é verdade que diferentes coisas, diferentes intensidades mas muitas vezes estamos tão focados e cegos em relação ao que bom foi, que simplesmente ainda que inconscientemente, acabemos por desprezar algo novo e isso nota-se principalmente quando se trata de ter algo novo, pois esquecemo-nos que para algo se tornar fantástico, tem de ter começado por algum lado, as coisas, os sentimentos, não aparecem miraculosamente, nunca vamos conhecer alguém num dia e no dia a seguir sentir uma enorme empatia com ela. O amor, por exemplo, para se criar amor, é preciso haver primeiro paixão, e antes da paixão, amizade e antes da amizade, tomar um pequeno conhecimento em relação a alguém, o ser humano também aprende um pouco a gostar, por vezes determinadas características, no abstracto não nos parecem interessantes, mas no momento em que começamos a viver e lidar com elas, podemos criar uma empatia que nos faz sentir ligados a essas, por mais opostas às nossas características que elas possam ser.
Sinceramente, acho que tanto podemos criar empatia por algo semelhante aos nossos ideais porque nos sentimos ligados, e também podemos criar empatia por algo completamente oposto às nossas ideias pela sensação de aventura, mistério por algo desconhecido, que geralmente cria interesse, que dá pelo nome de curiosidade.
É difícil andar para a frente, quando tudo nos puxa para trás, mas a verdade é que se quisermos realmente viver e aproveitar cada dia como se fosse o último, temos de nos abstrair do passado, deixar o nosso inconsciente pensar no que se passou e nós próprios, conscientemente, pensarmos e criarmos o que está para vir.

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